O lado psicológico de ser uma pessoa ambiciosa

És exigente contigo, queres evoluir e alcançar mais? A ambição pode ser uma força poderosa, mas também tem um lado que nem sempre se vê (…)

Ser uma pessoa ambiciosa é, muitas vezes, apresentado como uma qualidade. Ter objectivos, querer crescer, procurar melhores resultados, querer construir uma carreira ou uma vida maior. Mas existe um lado da ambição que raramente aparece quando falamos de sucesso: o que é que acontece dentro de nós quando sentimos que temos de chegar mais longe?

Porque a ambição pode ser uma força extraordinária, mas também pode transformar-se numa fonte permanente de pressão.

Ambição saudável

A ambição saudável nasce, muitas vezes, de um desejo genuíno de crescimento. Existe prazer em aprender, construir, melhorar, conquistar autonomia ou aproximarmo-nos de uma determinada visão de vida.

Neste caso, a pessoa não precisa necessariamente de estar sempre a provar alguma coisa. Consegue alcançar um objectivo e sentir satisfação, sem imediatamente transformar o sucesso seguinte numa obrigação.

O problema começa quando a ambição deixa de ser apenas uma vontade de construir alguma coisa e passa a ser uma necessidade de provar o próprio valor. “Quero ser melhor” transforma-se em “tenho de ser melhor, caso contrário não sou suficientemente bom”.

Quando o sucesso começa a definir o nosso valor

É aqui que a ambição pode ficar psicologicamente pesada. Quando o nosso valor pessoal começa a depender dos resultados, qualquer falha deixa de ser apenas uma falha e torna-se uma ameaça à identidade.

Uma promoção que não acontece pode significar “não sou suficientemente competente”. Um projecto que corre mal pode transformar-se em “talvez eu não tenha capacidade”. Alguém que nos ultrapassa pode despertar não apenas competição, mas a sensação de estarmos a ficar para trás.

E quanto mais investimos na ideia de que temos de ser excepcionais, mais difícil se torna simplesmente ser suficiente.

A armadilha da comparação

Existe também uma relação importante entre ambição e comparação.

Uma pessoa ambiciosa tende a ter uma referência elevada para aquilo que considera possível. Isso pode ser motivador, mas também pode criar uma armadilha: o objectivo deixa de ser chegar a determinado lugar e passa a ser estar sempre à frente de alguém.

A partir daí, o sucesso perde capacidade de satisfazer.

Há sempre alguém com mais dinheiro, mais reconhecimento, uma carreira mais rápida, uma empresa maior ou uma vida aparentemente mais interessante. A pessoa pode estar objectivamente a evoluir e, ainda assim, sentir que está atrasada.

Quando até descansar parece perda de tempo

Outro aspecto psicológico importante é a dificuldade em parar. Para algumas pessoas ambiciosas, descansar não é simplesmente descansar. É sentir que estão a perder tempo.

Há uma espécie de culpa associada à pausa: “podia estar a fazer mais”.

O problema é que o cérebro não interpreta descanso como desperdício, precisa dele para recuperar recursos cognitivos e emocionais.

Quando a produtividade se transforma numa medida de valor pessoal, descansar começa a parecer uma falha moral.

E, lentamente, a pessoa deixa de perguntar: “Estou a viver bem?”

Para perguntar apenas: “Estou a produzir o suficiente?”

Por vezes, por trás da ambição existe medo

A ambição também pode esconder medo.

Medo de voltar a uma situação anterior, medo de depender de alguém, medo de ser irrelevante, medo de decepcionar os outros ou medo de descobrir que, afinal, não somos tão competentes quanto imaginávamos.

É importante perceber isto sem reduzir toda a ambição a insegurança.

Nem toda a pessoa ambiciosa está a fugir de alguma coisa. Mas algumas estão.

E existe uma diferença psicológica enorme entre correr em direcção a uma vida que desejamos e correr desesperadamente para longe de uma versão de nós próprios que não queremos voltar a ser.

A pergunta que vale a pena fazer

Por isso, uma das perguntas mais importantes para uma pessoa ambiciosa talvez não seja: “Até onde consigo chegar?”

Mas sim: “Porque é que preciso de chegar lá?”

Se ninguém soubesse quanto ganhas, qual era o teu cargo, quantas pessoas trabalham contigo ou aquilo que conquistaste, continuarias a querer a mesma vida?

Se falhasses, continuarias a sentir que tens valor?

Se atingisses exactamente aquilo que estás a perseguir, conseguirias parar durante algum tempo e desfrutar, ou surgiria imediatamente uma nova exigência?

Não precisas de ser menos ambicioso

Estas perguntas não servem para diminuir a ambição. Pelo contrário. Servem para a tornar mais livre.

Há uma diferença entre ambição e compulsão pelo sucesso. A primeira permite escolher. A segunda começa a escolher por nós.

Uma pessoa pode querer muito crescer profissionalmente e, ao mesmo tempo, querer estar presente na vida dos filhos.

Pode querer construir uma empresa e continuar a ter amigos. Pode querer ganhar mais dinheiro sem transformar dinheiro na medida do seu valor. Pode querer ser excelente sem acreditar que precisa de ser perfeita.

Aprender a tolerar a frustração

Também é importante perceber que a ambição saudável precisa de tolerar a frustração.

Quem estabelece objectivos elevados vai inevitavelmente falhar, ser rejeitado, perder oportunidades e encontrar pessoas melhores em determinadas áreas.

Se cada obstáculo for interpretado como prova de incompetência, a ambição transforma-se rapidamente em ansiedade.

A capacidade de continuar depois de falhar é muitas vezes mais importante do que a capacidade de ganhar.

Crescer implica aceitar que, durante algum tempo, vamos ser maus em coisas que queremos aprender.

Querer mais sem precisar de mais

Talvez a maior maturidade psicológica não esteja em deixar de querer mais. Está em conseguir querer mais sem acreditar que precisamos de mais para sermos alguém.

Construir, conquistar, competir, ganhar dinheiro, assumir responsabilidades e procurar excelência podem fazer parte de uma vida muito rica.

Mas nenhuma dessas coisas deve ter de carregar sozinha o peso da nossa identidade.

A tua ambição está ao serviço de quê?

No fundo, a pergunta não é se deves ser menos ambicioso.

É perceber se a tua ambição está ao serviço da tua vida ou se a tua vida está cada vez mais ao serviço da tua ambição.

Porque chegar longe pode ser extraordinário. Mas chegar longe sem conseguir desfrutar do lugar onde estamos talvez seja apenas uma forma sofisticada de nunca chegar.

Se sentes que tens objectivos elevados, mas também uma pressão constante para fazer mais, provar mais ou chegar mais longe, talvez valha a pena parar e perceber o que está realmente a conduzir esse movimento.

Numa sessão de coaching, podemos explorar os teus objectivos, os padrões que estão por trás da tua ambição e aquilo que precisas de mudar para continuar a crescer sem viver permanentemente em modo de exigência.

Marca a tua sessão de coaching e começa a perceber se estás a construir a vida que queres ou apenas a tentar provar que és suficientemente bom.

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