O que te fez chegar a este nível não é o que te vai levar ao próximo

Já sabes como chegar até aqui. Agora, o desafio é descobrir quem precisas de ser para chegar onde ainda não chegaste (…)

Há uma frase que pode ser desconfortável para quem está habituado a ter resultados: o que te fez chegar até aqui pode não ser aquilo que te vai levar mais longe.

Na verdade, algumas das características que foram fundamentais numa determinada fase da tua vida podem começar a tornar-se obstáculos quando o contexto muda. A disciplina que te permitiu trabalhar mais do que os outros pode transformar-se em incapacidade de parar. A necessidade de controlar tudo pode ter sido útil quando tinhas pouco apoio, mas tornar-se um problema quando precisas de liderar uma equipa. A vontade constante de provar o teu valor pode ter alimentado a tua ambição, mas tornar-se exaustiva quando já não existe nada que precises de provar.

Crescer não significa apenas fazer mais. Muitas vezes significa perceber que já não podes continuar a funcionar exactamente da mesma maneira.

No início, quase todos nós construímos estratégias para sobreviver, avançar ou conquistar alguma coisa. Aprendemos a ser independentes porque não podíamos depender dos outros. Tornamo-nos extremamente trabalhadores porque percebemos que o esforço produzia resultados. Aprendemos a antecipar problemas porque isso nos protegia de surpresas. Tornámo-nos exigentes porque descobrimos que a excelência trazia reconhecimento. Aprendemos a não mostrar vulnerabilidade porque, em determinado contexto, mostrar fragilidade parecia perigoso.

Essas estratégias não nasceram necessariamente de um problema. Muitas vezes nasceram de uma necessidade. O problema é que uma estratégia que funciona num contexto pode tornar-se inadequada noutro.

O que funcionou até agora merece reconhecimento mas não precisa de continuar a mandar

É fácil olhar para determinados comportamentos e pensar: “Se funcionou, porque haveria de mudar?” Se trabalhar 70 horas por semana me ajudou a construir a empresa, porque haveria de trabalhar menos? Se controlar todos os detalhes me permitiu evitar erros, porque haveria de delegar? Se nunca mostrar dúvidas me ajudou a parecer competente, porque haveria de admitir que não sei? Se a minha exigência me levou a resultados excelentes, porque haveria de ser menos exigente?

Porque o próximo nível pode exigir competências diferentes das que foram necessárias para chegar ao nível anterior.

Um atleta que começa a treinar precisa de desenvolver força e resistência. Mas, à medida que evolui, talvez precise de trabalhar recuperação, técnica, estratégia e precisão. Uma empresa pequena pode depender da capacidade do fundador de estar envolvido em tudo. Quando cresce, essa mesma centralização pode impedir o crescimento.

Uma pessoa pode chegar a uma posição de liderança através de competência técnica extraordinária, mas descobrir depois que liderar exige algo diferente: confiar, delegar, comunicar, tolerar erros dos outros e desenvolver pessoas.

O problema não é aquilo que fizemos. É continuar a utilizar a mesma ferramenta depois de o problema ter mudado.

Há uma diferença entre intensidade e maturidade

Muitas pessoas associam crescimento a fazer mais: mais horas, mais objectivos, mais pressão, mais disciplina, mais produtividade. Mas existe um ponto em que crescer exige precisamente o contrário.

Talvez o próximo nível não exija que trabalhes mais. Talvez exija que decidas melhor onde colocas a tua energia.

Talvez não precises de controlar mais. Precises de aprender a confiar.
Talvez não precises de provar mais. Precises de deixar de precisar de aprovação.
Talvez não precises de ser mais forte. Precises de conseguir pedir ajuda.
Talvez não precises de aprender a fazer tudo. Precises de aprender a escolher aquilo que já não deves fazer.

Existe uma fase em que a intensidade resolve muitos problemas. Mas chega outra em que a intensidade sem estratégia começa a criar problemas novos.

O teu maior talento pode tornar-se a tua maior armadilha

Aquilo que fazemos muito bem tende a tornar-se aquilo que fazemos automaticamente.

A pessoa extremamente responsável começa a assumir responsabilidades que não são suas. A pessoa muito competente tem dificuldade em delegar porque pensa que será mais rápido fazer sozinha. A pessoa extremamente resiliente habitua-se a suportar tudo e deixa de reconhecer quando precisa de parar. A pessoa muito ambiciosa transforma qualquer objectivo alcançado numa plataforma para o próximo, sem nunca sentir que chegou.

O talento não desaparece. Mas pode tornar-se rígido.

E esta é uma das armadilhas do crescimento: aquilo que é recompensado durante muito tempo tende a tornar-se identidade.

“Eu sou aquele que resolve.”
“Eu sou aquele que aguenta.”
“Eu sou aquele que trabalha mais.”
“Eu sou aquele que nunca falha.”
“Eu sou aquele de quem todos dependem.”

Enquanto estas identidades produzem resultados, parecem virtudes incontestáveis. Mas chega um momento em que a pergunta deixa de ser “Isto funciona?” e passa a ser “Quanto me está a custar continuar a funcionar assim?”

O próximo nível exige deixar morrer algumas versões de nós próprios

Crescer implica, inevitavelmente, perder algumas coisas.

Não necessariamente pessoas. Às vezes, precisamos de deixar para trás formas antigas de funcionar.

A versão de ti que precisava de controlar tudo pode ter sido necessária para chegares aqui. Mas talvez a próxima versão precise de confiar mais.

A versão que precisava de aprovação pode ter aprendido a conquistar reconhecimento. Mas talvez agora precise de conseguir tomar decisões mesmo quando alguém discorda.

A versão que trabalhava constantemente pode ter construído muito. Mas talvez agora precise de aprender que descanso não é uma ameaça à produtividade.

A versão que dizia “eu consigo sozinho” pode ter sido extremamente competente. Mas talvez o próximo nível dependa precisamente da capacidade de construir relações, equipas e sistemas que não dependam exclusivamente de ti.

Nem sempre crescer significa acrescentar alguma coisa. Às vezes significa retirar aquilo que já não precisamos de carregar.

O sucesso também pode criar problemas

Existe uma ideia desconfortável sobre o sucesso: resolver um problema não significa necessariamente que o sistema que utilizámos para o resolver continue a ser saudável.

Imagina alguém que passou anos a trabalhar obsessivamente porque queria alcançar independência financeira. Consegue. Mas entretanto aprendeu a associar descanso a culpa e valor pessoal a produtividade. Agora tem dinheiro, mas continua a viver como se estivesse em perigo.

Ou alguém que passou anos a tentar ser excelente porque precisava de provar que era capaz. Consegue uma carreira de enorme sucesso. Mas continua emocionalmente dependente da validação. O objectivo foi alcançado; a necessidade psicológica permaneceu.

É por isso que determinados problemas aparecem depois do sucesso, e não antes.

Quando já não existe uma ameaça externa suficientemente grande para justificar o esforço, algumas pessoas descobrem que não sabem quem são sem estar constantemente a lutar por alguma coisa.

O próximo nível pode exigir uma mudança de identidade

Existe uma diferença entre perguntar: “Como posso fazer mais?”

e perguntar: “Quem preciso de me tornar para lidar com aquilo que vem a seguir?”

A primeira pergunta procura optimizar o comportamento actual. A segunda questiona o próprio modelo.

Se queres liderar uma organização maior, talvez precises de deixar de ser a pessoa que resolve todos os problemas e tornar-te a pessoa que cria um sistema capaz de os resolver.

Se queres construir uma relação saudável, talvez precises de deixar de procurar alguém que nunca te magoe e aprender a comunicar, estabelecer limites e tolerar vulnerabilidade.

Se queres crescer profissionalmente, talvez precises de aceitar que ser excelente tecnicamente não significa automaticamente saber liderar pessoas.

Se queres ter mais qualidade de vida, talvez precises de abandonar a ideia de que tudo o que não é produtividade é tempo perdido.

O próximo nível raramente é apenas uma versão maior do nível anterior. É muitas vezes um jogo diferente.

Pergunta-te o que já não precisas de provar

Esta pode ser uma das perguntas mais importantes para quem já conquistou alguma coisa: “O que continuo a tentar provar, apesar de já não precisar de o provar?”

Talvez ainda estejas a tentar provar que és suficientemente bom.

Que consegues sozinho. Que és indispensável. Que és mais competente do que os outros. Que não precisas de ajuda. Que consegues aguentar. Que mereces estar onde estás.

Mas existe um momento em que a necessidade de provar começa a consumir recursos que poderiam estar a ser utilizados para construir.

Porque há uma diferença enorme entre ser movido por ambição e ser perseguido pela necessidade de validação.

A primeira diz: “Quero ver até onde consigo chegar.” A segunda diz: “Preciso de chegar lá para sentir que sou suficiente.”

Por fora, podem parecer exactamente iguais. Por dentro, são mundos diferentes.

Talvez o próximo nível exija menos ego e mais consciência

Quanto mais crescemos, mais importante se torna perceber aquilo que não sabemos.

A competência pode trazer confiança. Mas maturidade traz também humildade suficiente para reconhecer limites.

Delegar implica aceitar que alguém pode fazer de forma diferente da nossa e, ainda assim, fazer bem. Pedir ajuda implica aceitar que competência não significa omnipotência. Mudar de opinião implica reconhecer que estar errado não destrói o nosso valor. Descansar implica aceitar que não precisamos de estar constantemente a produzir para merecer existir. E ser vulnerável implica perceber que mostrar uma limitação não é necessariamente perder autoridade.

Talvez o verdadeiro crescimento aconteça quando deixamos de perguntar apenas “Como consigo fazer isto?” e começamos a perguntar “Preciso mesmo de ser eu a fazê-lo desta forma?”

O que te trouxe até aqui é parte da tua história, não uma prisão

Não precisas de rejeitar a pessoa que foste.

As estratégias que te trouxeram até aqui provavelmente tiveram uma função. Talvez te tenham dado disciplina, autonomia, resistência, ambição ou capacidade de trabalho. O objectivo não é olhar para trás e dizer que tudo estava errado.

É conseguir reconhecer: “Isto funcionou. E agora preciso de aprender outra coisa.”

Essa frase exige maturidade porque implica aceitar que aquilo que funcionou ontem pode não ser suficiente amanhã.

E talvez essa seja uma das partes mais difíceis do crescimento: ter coragem para abandonar estratégias que ainda funcionam razoavelmente bem, porque percebes que já não são suficientes para a vida que queres construir.

O próximo nível pode não exigir mais força. Pode exigir mais inteligência emocional. Mais capacidade de delegar. Mais tolerância à incerteza. Mais capacidade de descansar. Mais vulnerabilidade. Mais capacidade de dizer não. Mais confiança nos outros. Mais consciência sobre aquilo que realmente importa.

Porque, no final, crescer não é tornar-nos uma versão cada vez mais eficiente da mesma pessoa.

É perceber quando a pessoa que fomos precisa de ensinar alguma coisa à pessoa que estamos a tornar-nos e depois ter coragem para aprender uma forma diferente de viver.

O que te trouxe até aqui merece respeito. Mas não precisa de definir o caminho que vem a seguir.

Chegar até aqui exigiu esforço, dedicação e capacidade de superar desafios. Mas aquilo que te trouxe até este ponto pode já não ser suficiente para o próximo passo. Uma sessão de coaching pode ajudar-te a ganhar clareza, identificar o que está a bloquear o teu crescimento e encontrar novas formas de avançar. Marca a tua sessão e começa a preparar-te para aquilo que vem a seguir.

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